segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Chapeuzinho Vermelho - first draft

Sua cor favorita tinha sempre sido vermelho. Aos 8, seu Pai lhe dera de presente um canivetinho vermelho, logo antes de morrer de tuberculose. Depois da morte do Pai, a Avó cortou-lhe um tecido e fez uma capa com capuz, da cor mais bonita, para alegrar sua netinha.
Alguns anos depois, a Avó ficou doente, e Chapeuzinho Vermelho (que não tinha nome, porque capuz e máscara são quase a mesma coisa) ficou muito preocupada. A Mãe preparou doces, bolos e uma garrafa de vinho. Colocou todos numa cesta, e entregou a Chapeuzinho.

-Está bem, minha filha, se quer mesmo visitar sua avó, aproveite e leve a ela esses doces, para alegrar seu dia. Escuta menina, já estás bem grandinha. Não vai pelo bosque florido, que é muito perigoso. Segue sempre o caminho pedregoso da ferrovia.

Chapeuzinho fez que sim, porque era muito obediente, e menina obediente o trem não passa em cima.
Vestiu a capa e as botas pretas de couro, e desceu os degraus da frente.

Mente quem diz que mentira tem perna curta, e que é de pequenino que se torce o pepino. Mente ou escutou muita mentira, e eu desminto porque pressinto cheiro de churrasco. Quem parte, reparte, e não pega a melhor parte, ou é burro, ou não entende da arte. Já dizia minha mãe. E a mãe de Chapeuzinho disse a ela que fosse pela ferrovia, mas veja bem, aí é que está, ela não via as belas flores que crescem bem na beirinha do bosque escuro. Não precisa entrar no bosque, é só seguir pela beira.

Chapeuzinho queria levar, além de doces umas flores vermelhinhas para a Avó. Mal não faz. Esticou os braços, e foi andando pela beirinha do bosque, rente à linha de árvores, muito cuidadosamente. Mas não tem bosque alinhado assim tão bem, e com mais três ou quatro florzinhas, ela já estava no meio do bosque lindo e escuro. Nessa rua, nessa rua tem um bosque. Que se chama que se chama solidão. Dentro dele dentro dele mora um anjo que roubou que roubou meu coração. Chapeuzinho florzinha Vermelha ali no meio do bosque, tão bonita de se colher. Dizem que Lobos são espertos. A vontade é mais esperta que a esperteza, e o que Lobo tem, é uma vontade enorme. Se assim funcionar, então sim, o Lobo que espiava Chapeuzinho ali daquela árvore, era mesmo muito esperto. A fome bateu, como só a fome sabe bater, mas ele sabia que por ali não podia ser. Foi jogar conversa fora, olhar melhor a florzinha vermelha.

-Boa tarde, menina!
-Boa tarde, senhor.
- O que uma menina tão linda como você faz por aqui, no meio do bosque?
- Estou colhendo flores para a minha Avó, ela está muito doente. Quem é você?
- Eu sou o Lobo.
Chapeuzinho olhou então pela primeira vez a figura que lhe dirigia a palavra. Ele tinha olhos, orelhas e uma boca tão grandes. Sim, isso ela já notou logo de início.
- Não posso ficar conversando agora, Lobo, tenho que ir encontrar minha Avó.
- E onde mora a sua Avó?
- Do outro lado do bosque.

Cada um seguiu seu caminho, e algum tempo depois Chapeuzinho chegou, com a cesta cheia de flores, à casa da Avó.
Bateu na porta. Ninguém atendeu. Vovó?
Abriu a porta e entrou. A casa escura de tão deitada, deixou-se iluminar um pouco pelo dia que já ia caindo. No canto, uma cama. Vovó?

Chapeuzinho sentiu um cheiro triste de final, de depois de depois de amanhã. A capa envolvia-lhe, e o medo da chuva é o mesmo medo que o medo da seca. O cheiro de poeira e doces, o cheiro de vinho e...
Deu três passos. A figura na cama, debaixo dos cobertores. Debaixo dos cobertores um rosto cara escura de bicho sob panos brancos. Ele, com um gesto de cabeça, apontou a mesa de cabeceira. Ela olhou, viu a taça de vinho, o prato de carne. A carne é vermelha.

Aproximou-se, dois passos.

Desentendida menininhinhazinha diminuindo com olhos de cadê minha mãe que eram mesmo cadê minha Vó, minha velha velhinha que já me esquecia cadê. Estendeu as mãos para a taça, bebeu um gole do vinho. As mãos tremiam, não de medo, mas de frio. Tinto descendo um antes-do-amargo de quem ia entender. Rastro queimado de álcool que traçava uma linha da cabeça ao ventre, e de volta aos olhos. Olhou-o novamente.

Na cama, a figura esguia, de esguelha transparência. O monstro do homem. O escuro debaixo da cama, deitado em cima, invertendo palíndromo a ordem dos medos. A ordem dos modos.

Olhos nos olhos quero ver o que você faz

(A morte era flor cor de vinho ali com cheiro de mofo, de carne, de sangue seco, de saliva ainda viva. A morte cheirava sua nuca, nunca dantes mordida. A morte acenava da janela de trás enquanto sua pele branca pedia pedia pedia um copo d´água, tenho sede, e os meus olhos pedem teu olhar. A pele pedia um novo atrito dissecado e branco, explosivamente branco de onde surgem todas as células. E a morte ali, penetrando a vida amolecida de sucos, sulcos banhados de vinhos antigos, nascimentos trágicos e outros tantos ardores futuros. A morte e o desejo de abrir todas as janelas. A morte na cama, o orgasmo discreto dos teus dentes. Quando a dor e o desejo soltassem um o corpo suado do outro, ela teria finalmente entendido.)

Dos medos todos que poderiam ter aflorado em passos desesperados, gritos aflitos ou não, nenhum deles conseguiu distanciar-se da beira do estômago. A tristeza das realizações mais duras tomou-lhe os vinte dedos, os dois milhões e quatrocentos fios de cabelo, as duas pernas, os olhos tão grandes e a única boca vermelha, entreaberta. Deu um passo em direção ao lado da cama, como que para velar um doente. A perda corta as cordas e as amarelinhas, as pedrinhas de cinco marias, os panos das bonecas e uma capa vermelha.

- Você matou minha Avó?

Era e não era um pergunta. Ele inclinou ligeiramente a cabeça para baixo, sem tirar os olhos dos seus olhos. Os olhos seguravam cada um a ponta de uma vara de equilibrista. O perigo abísmico sobre a cama, ameaça vulnerável, despida, crua de animal. Os olhos negros de bicho não diferenciavam pupilas, e ela insistiu em ver melhor seu próprio reflexo no poço: deu o último passo, expondo perpendicular. Espelhada vermelha nos dois círculos negros. A barra da sua saia branca roçava de leve os cobertores. Nunca estivera tão próxima.

O tempo virou do avesso suas mangas e bolsos, desembaraçando a vastidão inerte que se alastrava. E tudo aconteceu no tempo em que um olho prepara-se para piscar. As duas bocas se abriram em espelho: A dele num rosnado de bote, dentes na velocidade de flechas brancas, afiadas como a lança na mão do selvagem, o homem em seu berro de posse, de perfuração. Sua vida pela minha, minha vida sobre a sua, por entre a sua. A dela num gemido agudo e curto, do susto sabido e fundo, de arregalar os olhos verticais e olhar de frente pela primeira vez o grande abismo. Desperta a dança, simultânea sacou invisivelmente do bolso o canivete.

Os caninos brancos apenas talharam levemente o ventre macio, afastados rapidamente pelo ardor do corte que o canivete espelhava em sua pele negra de pelos grossos. Estancou novamente o ar. Dois cortes. Feridos, ambos: Chapeuzinho via a linha vermelha cortada logo abaixo do seu umbigo, o sangue que lentamente transbordava transversal, manchando sua saia branca. Ainda tremia, segurando com força desembainhado seu canivetinho vermelho. O Lobo na cama, o corte que ela lhe abrira manchando sua carne de um vermelho vivo, superficial, excruciantemente real.
Traçada a linha, cortada a margem. Ela levou a mão ao ventre, apertado de dor. Ele retraiu um pouco o corpo de fera acuada.

Ainda segurava o canivetinho, baixava devegar o braço. O Lobo já não mostrava os dentes. Olhavam-se ainda, talvez tomados do mesmo assombro.

Quando chegasse em casa diria à Mãe que enterrara a Avó no jardim, e que o corte no ventre era dos espinhos das roseiras. Não saberia jamais explicar, e nem tentaria nunca entender o motivo do que fez em seguida. Executou as ações como se não estivesse lá, lentamente, como alguém que nunca tivesse decidido se mover: Fechou a lâmina do canivete vermelho, e ainda olhando-o nos olhos, guardou no bolso a arma. Cortou com força um pedaço do pano da saia. Deixou, dolorida, que lhe escorressem três lágrimas dos olhos, e molhou com elas o retalho. Aproximou-se calmamente e esticou a mãozinha branca na direção da figura monstruosa. Estancou com o pano branco o sangue que escorria do corte, abaixo dos olhos negros do Lobo. Ele não se moveu. Apenas o som de duas respirações, contraídas em direções opostas. Ela então soltou o pano, e percebeu tirando a outra mão do ventre, que também o seu corte estancara. Ardia.

Deu um passo atrás. É para te ver melhor.

Olhou pela última vez aqueles fundos olhos negros. Compreenderam-se, em acordo silencioso e imóvel.

Voltou-se para a porta, deixando cair dos ombros a capa vermelha. Só um vestido branco, manchado leve de sangue. Nunca mais veria a capa, nem o Lobo, nem a Avó. E depois de certo tempo, chapeuzinho vermelho sem seu capuz não faria mais sentido, e teriam de chamá-la por seu verdadeiro nome.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

trying to rid part I

Mais um pêssego, e outro, nacional tradicional e o teor coisal da minha cama eu não aguento mais. Não satisfez, eu tentei expurgar, exorcisar, voltar ao centro do que... voltar ao centro de quem?

And no I don´t oh no I don´t and no I can´t change the subject.

He´s been gone for eight years, I told her. Eight whole fucking years and the short story I wrote repeats itself as a perverted myth.
We sat some five feet from the recent grave, me and The Boy With the Callous Mind. The Boy with the Callous Mind, and the Girl of the Callous Heart. We sat there some five minutes in silence, as our own version of the funeral developed inside our eyes. Our own version of his song, and our own silent goodbye. We imagined teenly we were witnessing the sad ending of a disease we couldn´t imagine naming. The two of us, we were children, and the beggining seemed like an ending.
Of all the people to sit with that day, I sat with him. Imature for death as we were for sex, love, and all separations to come, we tortured our minds with the guilt of not having saved our loved one. And looking around at him, sitting with me, simply passed me by. We never truly understood life as it sat there, we could only grief death, as it laid.

I do not blame myself, I blame both of us. For the lack of sensibility to what really there was: life, and the shortness of breath you would one day experience. As if his testament to you: hold on to my life, as I haven´t, hold on to the wind, hold on to their hearts till you queeze their blood, and the air off their lungs. And so you did.
And we loved, though we did not know how. Me and the Boy of The Callous Mind. We loved the size of friendship and our childish arguments, we loved rainy days, and rainy cinnamon cakes. We loved the same man, and as kids we roamed in the dead of dangerous indoor nights. I took things from the Boy, he took things from me. As a pair of brother dogs, we pleeded the milk to ourselves, and we loved each other in tears. I made so many mistakes, and I needed you to understand. You made so many mistakes, and I needed you to keep away.

I´m sorry. And I still need you to be sorry.

One day, after one of the Boy´s Callous Mind-spats with my Heart, I exploded in seven million tears, and told him to leave and never come back. I despised his laughter as I did his jealousy, I felt tired and small under his enormous lack of need for niceness. For consideration. I ate stale popcorn as I watched that awfull starwars movie, and cried with the princess as she said it: "Ani, you´re breaking my heart." I imagined I watched my devilish friend becoming a monster, and then I realised my exagerated hatred and desperation. And then I didn´t realise my exageration was nothing short of true. I was scared of your ability to cause pain, as I am now. I am scared of your ability to feel pain. I am now. I kept away from your hatred and love for a blesses period of rational self-care... And I almost hate myself for it.

Whatever you did during that time, I have no record, I have no idea. I hurt you deeply, as you hurt me. I shot it all with a ridiculous bebegun, and the wounds are almost laughable. But I was right. As I was wrong.
You knew I´d come back, I always did.

Whatever he left for you, you seem to have left for me. Although you have not gone. The Boy with the Callous Mind, of a thousand faces, smiles at the moon as if he knows her. And yes, although you have gone, you have.

The perfection of that bleeding vein, the perfection, it scares me out of my mind. It scares me, worst, out of my Heart. Yes, what is this? Yes, I feel it. Whatever it is you felt, I cannot name, and I feel it. Oh dear god I plead in your inexistance, I feel the Boy´s scar, it hurts between my eyes, and I cannot hold your life in my hands. But that is a line, and it is my life, and it is all our lives, and it is also the body that´s been dead for 8 years.
Lacks air. Lacks hair. Lacks light. Exceeds, expells, extracts, and it contracts and spins down and out again. I cannot hold it, and I ask you to sit.
I had asked you to sit, hadn´t I? Then I pleeded. I kneed, and I pleaded, and prayed that you would sit. For I was tired, for I still am, for you left me with the giant lock and I am searching, and I see the door to your apartment, and I see the dusty light outside, and I feel what you felt: and I start separating them, one by one... like kettle. I start seeing the disease in them, and they scare me, and they threaten me, and they will they will all betray me. So I start separating them as kettle. I´m scared of you, and I am scared of me. As I was scared of him.

With them, there is the image of you, almost saintlike in white, and yet monster-like with eyes of Anakin turning red. I list the bad in the good, I search for the wolves amongst the sheep. And I had never been one to kill. Here I am pointing the gun at passer-bys, here I am holding tight to my pockets. Why am I you? I cry so terribly hard I cannot hear my heart anymore. I tell you to breathe. I had told you to breathe, hadn´t I?

breathe
ignore all, just breathe.
And I can´t.
What if it was me? - I scream at your face as if you´re guilty.
What if it were me behind the wind and over the window? would you have had me in your arms?! Would you have held me like I held his trembling wet body, would you!? Would you have had the guts to sit by my body, would you have held my hands and pleaded me to sit?! Would you have told me to fucking breathe?!

It is absolutely absurd to want any of this from you. You wouldn´t and you couldn´t have. And I am a spoiled brat with the notion of dual love. I am a spoiled brat and I need caring for. I am a spoiled brat and I wanted myself when I had given myself to all of you. When we were kids, and you all but me had me on my knees for your fucking saity. For your fucking love. For his fucking life. And I needed it to be me, in my own arms. I´m so sorry I left you. I´m so sorry I still consider leaving you.

"And I´m crying for things that I tell others to do without crying"

I´m scared of trust, and of my own open arms. Were his arms open as he fell? I´ve always wanted to know. I´ve always kept a secret hope that his arms were open as he fell. My unconditional love has developed into a little baby white boy, and he laughs at all my lack of will, as I try to feed it and help it survive. I am weaker, and less myself than I´ve been in years. Yet. Yet. I wonder. Would it could it possibly be the best time to find out? Maybe I don´t want to know. The door you opened that night scares the fuck out of all my organs, and I hope for a greater decision. Things are so fickle and they pass. You are as strong as the roots of your soul. I am a tree, and I want to be a tree. I want to love all of them, as I always have, and I want no more wounds to question light and water. I don´t want to wonder, I want to, as a child, walk straight into the wall, and cry my eyes out when it hurts. But your learn that walls can kill. And yes, I am scared.

domingo, 24 de abril de 2011

lyrics. for you to song it, babe.

She tells me she´s in love. says she´s in deep absolute fucking love. and it´s complicated.
oh dear sweet heart, sugar babe, lay lay hun, lay your head hun.
And I tell her I´d been wanting to write love, and to think love. think. such an interesting verb to do love. like some kind of violation, I´d strip it down from it´s masked feelings, and think it. plainly. sexualy, as a ghost.
I tell you, sweet pea, love is almost understandable from two miles below.
I tell you, babe, you listen, eh?
Love be almost plausible, from two miles below.

I mean icecream here out from that park, and I look me this view of clifs and clydes. I find myself at the distance of your eyes. And I see it green, you be sixteen, I am a mean mean ol gal with her spyglass and her vail.
Nah, love, chant your hours away, pray t´yar gods you may, they may come to you at night to kiss your berry lips. I, dear?
I sit over here, I see it all, from two miles below.

And I tell ya, babe, maybe it just be simplest, from two miles below.

Out this park avenue, it´s sunny day, I see them kids, them run them play.
All the little girls and boys, and all o their little toys, seem they all be stil waitin,
just waitin on you.

Love is this, that I think right now, love is this quiet sound of Knowhow,
and the lack of object, and the choke of subject,
and I flow em out, til ya see the bubbles from my pipe-organ.
From outside o´love,my darlin, from inside of every drop of it,
I think love, my darlin, I remember and I build, my darlin,
all the love you live, my darlin,
for my leaves of summer.
for my clay-made mate.

From two miles downside, from two-miles offroad,
I hitchike my away across and over
those no-lonely trays of smiley faces on park avenue

I be tellin you the truth my love.
Love is simple thought, my love. I be honest as god, I be honest to you
as you to your love:
I miss the loss of this road ahead, and I remember the swirle of life over your head. And it´s all so clear, darlin,
from two miles below.

Last night I asked him,
said honey please you do me this one favor:
I could see you walk around town with all kinds of maidens
I don´t mind the many Louises dresses in white,
I don´t mind them feelin you up real nice
I see she´s pretty sweet, that burnet Louise,
I´d treat her real nice, introduce myself, offer her a cup o´tea
hope she´s treatin you right, like once you treated me
glad she be the one by your side when it´s winter, babe
glad she´s puttin up those lights as well as me,
glad she makes you happy, babe, glad she can see.
Ain´t no irony in my friendly gaze towards her, love
aint no sarcasm when I say, love, she be doin you some good,
that sweet Louise.
But I tell you, babe,
Just don´t show up my town with that other maid,babe
Don´t stroll down my town with Johana, babe
Be it Louise, babe, she be sweet and I don´t mind.
Just don´t bring me Johana in your arms, she don´t be kind.
Don´t you dare, babe, tear me up, babe
and give her none o your fingers, mine all to her.
It aint me, or all the world.
It just be this confusing feeling, babe.

Love be this confusing thing, I told her...
Sometimes it just stings your eyes as if it was still there
sometimes there aint no figuring out our own affairs.
I just ask him: do me this favor, babe
don´t you go givin your smile
To Johana´s likes, babe.
that be all, babe, that be all.

And she told me she´s in love. Darlin, dear me. I can think of what you feel, and I love the deep indeed of all this that has gone, and I love me what comes. I can tell you the view of a few clues from up here, babe. The smile on my face from lovin no place from up here babe. The want of a lifetime, the heart of a gaze, from up here babe,
from two miles up.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

unfinished

There are winters that last years,
There are nights that last for months
There are places in the world where the dark skies are filled with colorfull lights from a chilling reality,
that people of the summer lands could only call fantasy.
Rules do not aply.
Repetition does not indicate prediction,
and that harsh knowledge is pushed away by rules,
that do not aply.

There are flowers that grow under feet of snow.
As I watched it fall, from the window of a temporary home, summer would change into winter in hours of sleep. Because rules do not aply.
As I fled summer into winter, rules of continuous time, of cicles, rules of passages and phases, melted into ice.

domingo, 10 de abril de 2011

religious thought

A "new" (nothing is new) view on Creation:

In his Unbearable Lightness of Being, Kundera explains that while humans come from other humans, characters are created from an image. A new belief starts to take over me, inevitable, as I embrace and accept more and more my love for those that have created, before me, the image and the words of me. While human bodies may very well come from the combination of other two human bodies... (And I thank my mother and father for their great love to each other, lasting however long it lasted)
All of the rest of a human existence cannot, to me, be reduced anymore to the studies of pshycology. While the human body is created of the human body, so many other parts of the self are, I now believe, created from pieces of the world, that may or may not have been accessed by those called our parents. Works of art, acts of love, random life moments, experiences lived and manufactured by other beings, in moments past may have the beauty and strenghth to create a fragment of someone to come. Fragments of an existence that excedes that specific moment and shines into some other form of being, in whatever random time or space.

Maybe we can divide the idea of epiphany into two: the epiphany of creation, and the epiphany of reception. (Dealing here with the art-related idea of epiphany, since I do not yet comprehend greater meanings). The epiphany of creation is the moment in which the brief experience of the divine is translated into a creation of art: words to a poem or prose, a perfect shot for a photographer, the precise brushstroke or line, a sequence of movements... That one "inspiration" moment that makes creation of something REAL possible. In art, epiphany is possible not only in a creative moment, but also as a receptive epiphany: when the work of some other inspired soul touches you so deeply and imediately that you feel you have seen in it... truth. It is not mere "relating" rationaly to the work of art, it is not subtle "identifying" something of yours, and of the world in it. It is the great moment when you experience that particular work as it is, as it may be, as a whole. Sometimes it feels as a fast glimpse into a mirror. Not an ilusive inverted mirror, but a real mirror. What I believe now is that the moment of receptive epiphany is IN FACT a glimpse into one´s creation. One sees in that particular artistical fragment, a detail in one´s creation. Sometimes I am absolutely certain, when reading very specific words put together by Ana C, or Virginia, or lately Patti, that some parts of my existence have been created by precisely those words.

Maybe the receptive epiphany is not a vision of god, but a vision of our partial creator: that exact moment without which our existence, as it is, would not be possible. A glance at one´s self. I look at a specific Paul Klee painting, and I am sure for a fragment of a second, to have seen myself in it´s most crude form; to have seen a beam of light responsible for one of the cells of my existence, of my soul, of my experience.

I have come to believe that parts of my life and experience, personality and coincidences, reactions and loves have been created by fragments of someone´s life, in it´s artistical form.

Just to have it registered, a self-memo, this was the phrase that brought one spcific part of me to life:

"I learned from him that often contradiction is the clearest way to truth"

by miss Patti Smith, to whom I would, if I could, dedicate entirely this new belief.

quarta-feira, 30 de março de 2011

errei a mira teórica e des-colhi pêssegos

mordida de pêssego pra ver se forra a camada a cimentar de teoria obrigatória, visceral, deliciosa, e mortalmente diária.

nunca estou escrevendo quando escrevo. Quase sempre dirigindo. Começo uma corrida sem respirar pra ver se não me perco, mas em casa desidealizo, e aí então às favas as palavras e as coisas. Todas tão inteiras. E dá uma fome do tamanho de mim. Uma fome de dizer, pra dentro e pra fora, de comer todas as nectarinas e pêssegos do mundo. Se eu fosse digna de estudo, tentariam descobrir a metáfora... mas já me esqueci. E acho muito cômico, como criança perdendo a frase na metade. Não tinha importância, e é essa a graça.

então fico no sobre-aviso a mim. Warning: não estou escrevendo.

teoria platônica, porque as paixões que Ana me causa não permitem pensamento reto de nenhuma espécie. E tenho que fugir da biblioteca, porque não pode entrar em combustão, nem começar a chorar na biblioteca (boys don´t cry at the library), em cima do livro que eu devia estar estudando e não deglutindo, desarmando, descabelando, vestindo, amando, fermentando, re-gestando, sorvendo, lambendo, cozendo, umedecendo, descabendo, cochichando, gargarejando e sendo.

Fujo e desteorizo, tentada e incontrolada. Não foi minha culpa. Tenho raiva dela a ponto de me dar tesão pela tentação de amá-la e incompreendê-la na sua infinita simplicidade que eu poderia muito bem ter escrito, porque é exatamente-me. Uma admiração do tamanho de um omicídio.

rasgo, transgressora clandestina um pedaço do caderno-todo-certinho fingindo que ninguém me vê:

Toda vez que eu releio Ana C dá essa sensação que mensagem de texto é poesia, uma vontade de levantar e gritar e rasgasr o mundo em 60 pedaços. Rasgar na fibra do mundo uma grande vagina, um sorriso de pé. E um abrir de braços que ninguém nessa biblioteca ia entender, mas ia dar pra respirar muito. Gastar um rasgo imenso e gritar "Eu Te Amo!", com um grito setentista quase sem destinatário que chora e ri de esplêndidos explêndidos berros. "eu te amo" e você não precisa me amar de volta, só precisa mesmo me querer bem.
e ler minhas cartas.

Gasgar um rasgo imenso e gritar "Eu Te Amo!", com um grito setentista quase sem destinatário

um destinatário passado, repassado antigo, scorso, mal-passado do ponto a ponto de não ter mais pedaço de gente ali no fim daquele fio de barbante-telefone que cruza um oceano inteiro. Acaba o outrolado, passa o destinatário passado num trem velho, e fica o "eu te amo", que nem brigadeiro que sobrou da festa. E eu estou mesmo afim de dar o brigadeiro que sobrou da festa no dia seguinte prum algum anti-lobo anti-príncipe que soubesseriará nada de novo, o endereço de casa, e passa de manhã, na manhã do dia seguinte. Aguardo.

quando danço mal, de manhã, quando tango errado porque ainda prendo-me em pernas e erro o abraço, morro de vontade de chorar. e daí passa. Eu não gosto mesmo de acabar, fico deixando esse e que começa-me

domingo, 13 de março de 2011

O poeta é um amador

é um rascunho, mas me importa, me interessa:

Literatura é arte? Era provavelmente a pergunta de uma pré-adolescente, ou de um arte-educador sem originalidade, tentando criar conversas pseudo-espontâneas com o público de uma das obras de uma exposição de artes visuais, que consistia num poema escrito em letras supostamente brilhantes em uma grande parede. Talvez ela fosse eu. A pergunta (tendo ouvido, ou feito -porque afinal quando se faz uma pergunta, tomando-se um certo cuidado, acaba-se logo em seguida por ouvi-la-) a pergunta me soou imensamente estúpida. O que mais seria literatura se não arte? Afinal ela não está entre as tais sete, listada, catalogada, devidamente ordenada e enclausurada? Pois bem! E então, se literatura é de fato arte, como me disse a dona Carminha, minha professora da terceira série; o escritor é um artista. Certo?
Acontece então que, ao pensar na resposta aparentemente óbvia, me deparei com um seríssimo problema. Não sei ainda afirmar se é um problema nacional, ou se chega a atingir dimensões mundiais, mas suas conseqüências são, a meu ver, socialmente gravíssimas! (Faça-me o leitor o favor amável de ignorar o tom irônico com que meus dedos insistiram em redigir esses pensamentos. Conseqüência tola e infantil da reação emotiva que me causa o tópico) Ao que interessa: O gravíssimo problema ao qual me refiro é o fato que... não, o escritor aparentemente não é um artista. O escritor é advogado, desembargador, dona de casa, etc etc etc.
O que eu insisto em me perguntar é: O que há na nossa sociedade brasileira que ainda nos faz ver a atividade do escritor como atividade amadora, desvinculada de sua profissão? Sim, pois bem, há dentre nós tantos escritores renomados, valorizados até exclusivamente por sua escrita, que jamais sequer tocaram num processo, pisaram num tribunal, ou exerceram qualquer que fosse a profissão determinada por sua formação. E a estes chamamos escritores. Nós leitores os chamamos escritores. Nós críticos os chamamos escritores. Mas burocraticamente, seus diplomas, os dados fiscais, ou qualquer cazzo que importe em termos de documentos formais ligados à universidade, os chamam ainda advogados, matemáticos, dentistas, eu sei lá.
Não, acalmem-se, não estou de forma alguma tentando dar um valor desnecessário e definitivamente datado à tal famigerada graduação. Uma das profissionais que mais admiro é formada em artes cênicas, e leciona filosofia; enquanto outras de formação em cinema e comunicações exercem a psicanálise, e vice versa, os exemplos são infinitos, e vêm crescendo graças a não sei bem que deidade da tal “interdisciplinariedade”. Entretanto me parece significativo o fato de não termos um curso superior para formar escritores. Está bem, meu conhecimento é de fato muitíssimo restrito para estender essa afirmação para além do meu pequeno círculo de convívio. Pois bem, tomemos como exemplo apenas a tão renomada Universidade de São Paulo. Determinando-se que literatura é arte, imaginaríamos, portanto, que na ECA, Escola de Comunicação e Artes da USP, haveria um prédio, ou ao menos o currículo de um curso reservado à milenar arte literária. A arte de Homero, afinal! O ator, o roteirista, o designer gráfico, o diretor de teatro, TV, cinema, o pintor, o escultor, o publicitário, e veja bem até o biblioteconomista têm seu curso, com disciplinas obrigatórias e optativas, vagas limitadas e dificuldade xis ou y pra passar no vestibular da ECA. Não estou esquecendo os dramaturgos, também habilitados pela ECA. (Além desse detalhe não amenizar a questão, a meu ver, a torna mais grave, já que o dramaturgo é um grupo muito específico dentro do que costumamos chamar escritores.) E tentemos buscar fora da Escola de Comunicação e Artes, então.
Qualquer um que já tenha passado pelo tal “ciclo básico” (primeiro ano) da Letras, na FFLCH, dirá que se há algo que se aprende em relação a uma produção própria de talvez-possível-literatura na faculdade, é que ela deve ser inteiramente descartada e desconsiderada. O que aprendemos logo de cara, é que aquilo que fazem os grandes, a quem tentamos romanticamente imitar aos 14, 15, 16 anos, é imensamente mais complexo, magnânimo, incrível e inatingível do que já imaginávamos. É o grande fenômeno writter´s block em massa de todos os pós-adolescentes recém saídos do mundo do colegial ou do cursinho, que aspiraram algum dia estudar literatura, para fazer literatura.
Honestamente, acho esse choque inicial muito positivo, e extremamente necessário. Talvez um tapa na cara não faça de fato mal para começar a olhar para a arte que se quer fazer com outros olhos, menos ingênuos. Seria sim um absurdo julgar categoricamente a literatura dos diários adolescentes como não-literatura, e a discussão do que é ou não é arte, não é a que interessa no momento (apesar de ter começado o texto justamente com uma pergunta análoga, mas isso é apenas um recurso de uma não-escritora para introduzir aos seus não-leitores uma discussão já tão começada e recomeçada que não parece ter começo) Pois bem, acho sim que esse bloqueio inicial dos alunos de primeiro ano, saindo fresquinhos do forno, é algo necessário. Afinal se concordarmos (e eu concordo) com Valery, que todo escritor deve ser também crítico; talvez o primeiro passo seja de fato o questionamento daquilo que se pretendia como futuro escritor. Pode ser tradicionalismo meu, mas acredito que uma boa dose de humildade perante o caminho que se pretende trilhar (seja na arte, ou numa empreitada de dirigir 20 horas seguidas numa estrada de mão única, por exemplo), não vá mal a ninguém.
Entretanto, essa dose inicial de sentimento do sublime perante A Literatura, que vive o aspirante a escritor cursando a faculdade de Letras da USP, ao invés de se tornar combustível para estudo, pesquisa, tentativa e erro e erro e erro e erro; acaba tornando-se silêncio absoluto, que beira o trauma. Talvez exagere, mas apenas no tom, porque o efeito de fato é visível, paupavel, sentido quase no ar. Aquilo que poderia ter se tornado terreno de exploração, crítica, estudo para uma produção própria acaba se transformando em quintal baldio, humildade subvertida em auto-depreciação. Acho de fato uma pena que a instituição de ensino, ao invés de incentivar uma produção consciente, dotada da possibilidade de estudo e crítica simultâneos à produção literária, incentive apenas a forma acadêmica, a teorização, a crítica. E de preferência a crítica a tudo aquilo que já tenha sido criticado e re-criticado, canonizado, de forma que o aluno forme-se um excelente organizador de fortuna crítica, mestre em compreender minuciosamente apenas aquilo que já foi catalogado por outros, maiores que ele.
Sim, poderia resumir minha crítica ao fato que a faculdade que curso (há tanto tempo que já acredito poder falar de um lugar quase de fora) não possui nenhuma espécie de disciplina ligada à produção de literatura, à chamada por alguns cursos livres de “escrita criativa”, à produção própria de literatura do aluno. Mas isso é apenas um detalhe, ou melhor, uma conseqüência da grande questão. O que é que se preenche no campo “profissão” no formulário do dentista, quando se é graduado em Letras? Literato? Professor? Crítico? Duvido que alguém, por simples lógica, preencha “escritor”. Não, a Letras não forma escritores, como a Faculdade de Artes Cênicas forma “atores”, “dramaturgos”, “diretores de teatro” ou como a Poli forma “engenheiros”.
Mais uma vez gostaria de reiterar: talvez uma formação de escritor não fosse a melhor escolha para um indivíduo que desejasse com toda sua mais profunda paixão dedicar-se à literatura; assim como não necessariamente é a faculdade de Artes Visuais que de fato forma um artista plástico. A questão aqui levantada não é a melhor ou mais adequada (que terrível expressão) forma de se aprender ou desenvolver uma determinada atividade, artística ou não. A questão é o motivo e as conseqüências do fato que aparentemente, academicamente e institucionalmente, o escritor ainda é colocado num lugar de amador; ou mais problemático que isso, de gênio, dono de um conhecimento individual e impossível de ser compartilhado.
A meu ver, uma das difíceis conseqüências desse lugar distanciado da figura do escritor, é a distância entre a crítica e a literatura. Aprendemos a desvalorizar com os melhores e mais embasados argumentos, grande parte da literatura que surge contemporaneamente, da literatura bem recebida pela Folha de São Paulo, da literatura das vitrines da Livraria da Vila, dos Best-sellers. Nós, da Letras, criticamos ascépticos cada um dos recém auto-denominados escritores por sua falta de profundidade, interesse, matéria “artística”. A prática e a teoria estão mesmo tão distantes? Sou a primeira a meter o dedo na publicação alheia, na palestra supostamente realizada para discutir processo criativo, em que acaba por se dizer que é este um processo “muito pessoal”, “intransferível”, “inexplicável”, e se mantém o autor num lugar intocável, de quem no fundo não tem nada a dizer. Sou também a primeira a reclamar a falta de consciência crítica, do rigor ou do simples interesse de tanta literatura feita por aí. Sinto raiva da raiva ao crítico, entro na dança e sinto raiva da consciência pouco pesada de tantos que parecem escrever sem ler. Escreveu, não leu... Mas a ordem é inversa. Nem todo escritor deve ser crítico? Nem todo crítico precisa ser escritor. Mas a serviço de quê está esse muro acadêmico? Ou melhor, a serviço de quê está o não-lugar acadêmico vivido pelo nosso amigo fantasma escritor?
Por quê acredita-se que se torne um melhor músico aquele que estuda música, e um melhor ator aquele que estuda (inclusive na sua teoria e história) o teatro; mas não se associa o estudo da literatura à boa produção literária? Não quero passar uma impressão conservadora que determina previamente que o bom escritor será o estudioso de literatura (isso seria inclusive a meu ver uma afirmação dura e errônea), apenas questionar o por quê do distanciamento tão imenso entre a crítica, a teoria, e o fazer literário. É como se crítico e escritor dividissem de forma sagrada um trabalho que toca a ambos como espécie de time, mas no qual é expressamente proibido a um fazer o trabalho do outro.

É de fato uma curiosidade levemente preocupada o que me move nessa reflexão. Não tenho ainda (e me pareceria estranho ter) hipóteses bem embasadas para comprovar, teorias a argumentar. Resta-me apenas essa vontade de diálogo a respeito, essa necessidade de compreender quais são as implicações desse lugar isolado no qual foi metida a figura ranzinza e solitária, essa espécie de gênio de talento inexplicável não “ensinavel”, no qual francamente não acredito. Se tantos artistas reconhecidos a menos tempo na história que o escritor, lutaram por um espaço acadêmico, por um lugar de troca e formação, por não ter mais o glamour e o peso das artes ditas dons que se nasce possuindo, aprende sozinho, aprende fazendo... A serviço de quê está esse afastamento da arte da escrita de sua teoria, de sua crítica, de seu estudo? A serviço de quê formamos críticos e teóricos com máscaras estereotípicas de frustrados e amargos, prontos a detonar seus inimigos artistas incompreendidos, tantas vezes cobrados justamente na sua falta de diálogo com a teoria?
Me incomodam profundamente tanto a imagem estereotípica do crítico mal amado e amargurado, quanto do escritor gênio incompreendido e inatingível. Me parece que a ambos falta a liberdade de ser, ao menos por vezes, justamente o outro.