quinta-feira, 14 de junho de 2012

noutras palavras sou muito muderrno

Correr em direção ao muro
correr, com todas as forças,
em direção ao muro.
correr
Correr até que haja, se faça, imponha
seco júbilo
em direção ao muro,
correr.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

esse devia mesmo se chamar plágio

três heterônimos walk into a bar. Qual é o nome do filme?

O que é o que é um pontinho escuro bem no meio da sua testa?

Olha, bem ali. Eu só funciono no plágio da hora H. O plágio minuciosos da hora H. 1,2,3, e já, falsificação descarada deslocada de três poemas secretos encontrados na pasta cor de abóbora.

Escritores fantasmas num baile de máscaras: coisas que ele escreveria. Tento fazer um sorriso amigável, mas sou transparente feito o Tejo, e ele sabe muito bem que eu acho tudo velho. Não pediu mesmo a minha mão, nem o olho direito, então deixa estar. Esse papo já tá qualquer coisa, sinos de caetano, e uma sinusite de alcova. Na porta da tabacaria um no smoking sign com cheiro de tinta fresca. De strogonoff, e aquela cidade nua toda nua.

Ficou barato e cliche, sem mais. Delongas? Eu queria te dizer que queria te dizer que queria te dizer. Que a tua arte egocêntrica é moderna e tem gosto de chiclete.

exercício diário de bater ponto em cima do livro dela: papel manteiga, o plágio dos suportes líquidos. A mais pura anti-originalidade dos não biografismos clássicos. Eu queria ouvir assim "muito pós-Gaiman a tua prosa" e uma risada eco. Hoje estou sem monstros, nesse copismo afágico. Não conta essa não, essa aqui não conta. Procrastinação pura!

sábado, 12 de maio de 2012

"Não queira nada que perturbe esse lago agora, bem."

It´s too big a city, and too big a city for bliss to hang on a minute

hang on a minute

Segura o estímulo, bem, não encosta em mim que se encostar pode fugir de vez e nunca mais essa delicadeza vulcânica que me toma a pele. Por nada.

Bliss comes -always- from nowhere.

Este não é um pensado, amor, é um desses que dá vontade de fazer como aos 14. Meio confessional pós um-dia-qualquer, pra mandar beijo aos amigos. Eu ia dizendo, qualquer coisa mesmo. Pra bater ponto de palavra todo dia, mesmo.

Como é que faz pra ir, como é que faz com essa vontade, essa precisão desencarrilhada de ir amando lugares e casa e raizes, e amando pessoas. Esqueci quase a interrogação, porque não é uma pergunta e eu não espero uma resposta. É uma comequefaz de absurdo sem solução mesmo. De esticar as duas pontas até quebrar as pernas sem alongamento nenhum. Bota um ponto do compasso aqui, finca fundo porque é aqui. E o outro gira, abre e gira. Mas eu não tenho dois pontos e eu quero uma estrada imensa, todo dia. Uma estrada imensa todo dia e a tua cama. Ao mesmo tempo, agora.

Não te convidei, não é pra você vir comigo. Porque eu não estou indo. Eu fico. Eu fico e eu fico e eu parto toda vez que eu vejo um avião.

Quando eu morrer faz uma viagem, e larga cinzas minhas pelo mundo inteiro, pode ser? Viva não tem mesmo jeito, saudade é pão e água, arroz com feijão.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

meeting, planning, and passing

Must it always be, my dear sweet Jolie, must it always be

,


It had darkened and her song stirred in me, like a ghost from tomorrow´s parties... no words.
I had told you, that poem, can you recall?

Meetings- I had said
Passings- you replied.

What we made our cover-sheets from, darling, that was all the romantic gaze upon a dried land.
You have no future,for you have nothing but future.
You have no past, she said. For you have nothing but past.

Pleased to meet you, at this darkening hour, where flowers grow long.
Do they, though?
Or do they sharpen their teeth, and have gone with it, by ten thirty-six?

Have you made plans?
I have, once. she said.
And are plans plural when -you- is plural too?
She just smiled and turned away.

Where do I stand? Was it the thinnest of ice, or thick moon steps? Who dare take me, where I dare not?
I told her she had the order wrong. I told her she had it backwords. This is how it goes:
Who dare go, where I´ve never gone, after I´ve taken me all the places alone.

All the places alone.

Where do all the places end?

Where do I start where do I stop where do I start where do I stop

Where do you come in, when you do come in.

That is not the question, I insisted. The question is this:
Where do we go, when we do go.

we do go?

Where are you going?
Where do you go?


is we ever inside the eye, are we ever defined by rhymes, will we ever, inclined in lines, are we never, are we in times.

I wondered and wished for plans. When you wish upon a star. I planned a dream and left my head upon the bar.

You talk too much, she said
I was convinced, for a wink, and you lost me, for you went too far

sexta-feira, 16 de março de 2012

04:33

será que tudo aquilo só existe mesmo em não viver tudo aquilo?
Eu só sei mesmo reler.

terça-feira, 13 de março de 2012

ELABORAÇÃO DE ANDRÉS

Esse, conversa de elevador. Exaustão das seriedades, portanto, vamos tomar chá das 5?

Ao todo tinham sido quatro. Melhor seria que fossem três: o primeiro, o segundo, e o terceiro. Melhor, porque mais seguramente enraizado em tradição. Mas não posso, por fidelidade assinada de biografia, te mentir. Então foram quatro.

O primeiro não me chegou nunca. Esse o grande truque. “Na véspera do não partir nunca, ao menos não se há que arrumar as malas”dizia Campos. E na véspera do não chegar nunca, ao menos não se há que desarrumá-las. Seu nome era mentira, assim como seu número de identidade. Falsário dos ensaios silenciosos, me enviou – e com este correio que temos...- uma rosa de pelúcia, um enorme R maiúsculo embrulhado em papel virtual. Aparecia todas as noites, disfarçado de silencioso e tímido. Vinha comer meu fígado como a águia de prometeu. Me prometeu três vezes chorar se eu não desse as caras. Pedia meus abraços escritos, queria um foreplay eterno que mistura tesão desconsertante e amor fraternal que inventava. Me chamava de asas, não entendia nadíssima de nada. Era um “se você for eu vou”, “não toma lá nem dá cá”de arrancar os nervos debaixo da pele. Um dia cheguei a perguntar costas-a-costas, se abriria a porta pra mim. Disse mesmo que iria até lá e levaria sorvete. Me desrespondeu que não, ameaçou violar todas as regras das religiões que não seguimos. Aproveitou-se da minha culpa atávica, do meu medinho de quebrar os copos pra penetrar-me o mais profundo do corpo num jogo surdo e mudo, escrito. É muito mais fundo ser fodida por poros que não se vêm, sem tocar-me uma vez o corpo. A distância. Olhos de canto, umas tentativas burras de implicitar nosso sexo explícito, no meio do salão. Nunca trepamos. Foi deixando de dizer-me asneiras, foi achando um ponto para mirar na pirueta, até que sumiu na multidão dos três amigos. Reapareceu um dia com uma raiva ofendida de não ser poeta de palavras doces, mordeu meu pescoço sem suor nem ternura, roa o osso e deixe a carne. Pedi licença para ir ao toilette, retocar a maquiagem dos meus meses de paixão, encontrar aquela correspondência fingida que deixei cair no corredor, e na volta o encontrei ajoelhado diante do altar de santa franca do norte, com olhos que a terra ha de comer ou não me chamo fulana de tal. Maldisse todas as noites de insônia, devolvi presentes e engoli a seco setenta e nove noites de histórias inacabadas. Cherasade, sua vaca, queria te beijar as mãos com todo o meu amor.

O segundo, menos e mais inventado. Veio como providência ineficaz no meio do caminho do primeiro. Era a ele todo oposto: olhos rasos, uma sinceridade banal de quem viu flores com meu nome e lembrou de mim. Sem amor nem mentiras, só assim de leve na ponte. Tinha nome de conde nórdico. O mesmo dos outros, com as letras trocadas. Ironias infindáveis pra disfarçar um otimíssimo coração. Fumava cigarros azuis, e por isso veio me falar. Uma conversa, um cigarro a menos. Mal sabia que quem me curava vício era ele. Existiu ali mesmo, de carnezinhas macias e ossos pequenos, por três noites. Escutava-me com um sotaque providencial. Uma delícia tão simples de dar saudade. Carregou do avesso uma despedida leve, me pediu que o seguisse. Um até amanhã meio doído de para nunca mais. Verdadeiro feito folhas de relva, verde mesmo, queria te conhecer melhor. Coloquei do outro lado da balança, tecendo correspondência incompleta na falta das noites de insônia e tortura. Uma ternura leve, de quem ia se esquecer em breve. Segurei esperas, pedi um copo de água e uma passagem de avião. Não veio, mas quis. Como quereria me entregar as pequeniníssimas flores de jardim. Teu país é lindo e distante, chego a querer te escrever nos pés. Foi indo também, simples e singelo como quem não quer nada, mas se pudesse queria, e teríamos tido oito filhinhos com nomes difíceis. Gostava de gostar, um jeito manso que desconhecia. Guardei os cartões postais. Distância segunda, sem desespero, uma pequena pena só. Quando cheguei, anos depois, para ver de verdade a cara do poema, não quis aparecer. I came a long long way to see you, and I’m glad you are not here, I told him. Foi assim, trem de metro, jazz.

O terceiro, já estava. Estava de antes de todos os outros, escondido atrás de frases bestas, uma arrogância insegura e três olhares desviados. Consegue um? E dois? E três? Me queria desde o começo, só porque eu estava, e tinha longos cabelos. Não me amou nem despertou quebras nas grandiosas geleiras, estava atento e atado, apenas. Esse sim, pra tirar o foco das minhas olheiras cansadas. “Coisa ínfima, quero ficar perto de ti”. Uma compaixão daquelas inflamadas na pele mesmo, apelidos e briguinhas antes mesmo dos primeiros ais. Chá de camomila, não consigo te definir melhor. Resfriado que virou gripe, e eu ali fingindo primeiras intenções. Pedíamos, podíamos, sim? Me chama pra comer alguma coisa, e não avisamos para mais ninguém. Toda a inocência do mundo, é claro. Descuidei e você desespertou de medo no meio da avenida. Será que foi assim? “Teria sido na praia, medo, vai ser um erro, uma palavra errada, nada basta quase nada”. Ele que disse pra ele que diria pra mim que aquele outro ele talvez sentisse que ele... enfim. Desfim, desfez, desfeito, tô de mal come sal na panela de mingau. Tão criança quanto você, despi as facilidades e me armei de setecentos argumentos e vontades. Nada melhor do que perguntas explícitas pra receber as respostas erradas. Me salvou e largou ali, como se não tivesse se quer me salvo. Fiquei bem, sã e salva mesmo, apesar de uma pedra no sapato, você me doendo os calcanhares.

O quarto, na verdade, não teve a menor importância. Foi e veio na mais pura perfeição de uns 17 minutos. Com aquela cara de despeito passado, birrinha de quem não ganhou os doces e voltou pra mostrar a cobra e matar o pau. Me desafiava de longe, sem beleza, todo charme e cerveja. A noite alta me ensopara toda. Caetaneando alegre nas lamas envolta dos dois comprometidos, me decidira a ficar sóbria. Bem que se quis. Voltava torta para o meio da grama onde chovia e gargalhavam as luzes verdes do campus, e a música me partia os pés. Tomei-te um gole, e achei a boca desse quarto e último de consolo para todos os fracassos. “Ela é minha menina, e eu sou o menino dela”por exatamente 17 e vai-te embora que vais perder o trem. Um gole, e só. Serviu-me bem às coxas, pra fechar com chave de nada a grande saga. O quarto foi um relance no nome, despedida de soleira.
Entrava, depois dele, na inacreditável e inigualável era dos Is.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

"but really... a life needs secret plans"

Finalmente, cá está ele... o desejo do segredo.
Sempre estas minhas arestas vazadas, e as belezas do vidro: de súbito, lenta espera surge ela donzela de prata altiva. a vontade de contar-lhe que não te contarei mais nada. Causos, talvez. Finalmente te escreverei poesia, porque mentiras.

É essa vontade precisa, meticulosa que invadiu-me então: elaborados disfarces para velar-lhe estas extensas linhas em branco. Continuo a fazer questão, fazer esforço, aulas, as pazes, planos, de conta... deixei de fazer apenas sentido. Não me entendas, porque não mais te estou explicando. É simples. Vês, ou não vês, já não me interessa.

E se me perguntar te direi direta e reta, curta e nenhumpouco grossa
que não tenho segredos para ninguém.
É verdade, a mais pura. E quando me perguntares novamente, farei o favor de explicar-te nada.
Planos ou sonhos, faz diferença apenas a medida dos passos
e aos meus tu não tens mais acesso
digo mais, direito.
(ah que falta faz o you do inglês, que ignora números!)

Pois era isso que vinha te contar: nada, causos, fofocas, e o fato que hoje choveu.

As contas não estão no teu nome, nem têm seu endereço as cartas. Não há documentos que comprovem tua posse, e bato aqui meu último ponto.

grata pela atenção, senhores. com firma reconhecida em cartório.