quarta-feira, 17 de junho de 2015

Página

não é uma ameaça, minha partida.
não é blefe, tampouco.
minha partida é um risco contínuo
dessa linha que corta
da ponta de cá
até a beira da página tímida.

ou a folha preenche de cores, abre-se,
origami
ou o risco da caneta transcreve
e rasga o ar.

é a falta de cabimento:
é o caber sem pertencer
que deixo para trás
feito caroço.

quero a página transbordante de linhas e curvas,
cheiro de tinta fresca.
O ponto sem nó, as doze vírgulas,
e aquele agradecimento periférico,
eles, meu amor,
eu nego.
não me ofereça alternativas, um p.s,
notas de rodapé.
Ou bem a escolha que desencolhe,
ou bem o horizonte.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Corvos e gaivotas: música dissonante.
A Normandia é um cemitério à beira-mar

Ovelhas e gaivotas: varas de pescar e lã
Não cabe no cartão postal
Como faz pra caber? A mão traça
retas, separa

repara bem:A Normandia é imensa.

O Sertão vai virar mar.
e o mar